Anima Mundi 2013: quatro dias de animação em SP

Por Lucas Goldstein

Aconteceu entre os dias 2 e 18 de agosto a 21a edição do Festival Internacional de Animação do Brasil, o Anima Mundi.  Com premiações e programações distintas no Rio e em São Paulo, o festival ficou em cartaz durante quatro dias – do dia 14 ao 18.

O festival, que serviu como uma tática de sobrevivência do gênero no país na década de 90, exibiu nesta edição 106 produções nacionais. Produções de 53 países participaram da programação do evento.

Para um país que já chegou a lançar apenas uma animação por ano (em 1993, primeiro ano do festival), os números impressionam: participaram da mostra cerca de 500 curtas-metragens e 13 longas, incluindo o brasileiro Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi –  que recebeu o principal prêmio do Festival de Annecy, o mais importante do mundo da animação, na França – e Aprovado Para Adoção, eleito o melhor longa-metragem por júri popular tanto no Rio quanto em São Paulo.

Também ocorreram masterclasses (fóruns) para profissionais da área e bate-papos com realizadores estrangeiros – em SP, a portuguesa Regina Pessoa, o irlandês David OReilly e o brasileiro Ennio Torresan, que trabalha nos estúdio americano DreamWorks – que produziu sucessos como Shrek e Madagascar – participaram dos encontros.

 

Aprovado Para Adoção

Coprodução entre Bélgica e França, o filme é a autobiografia de Jung, coreano abandonado pela mãe aos cinco anos de idade e adotado por pais europeus em 1971 – situação comum após a Guerra da Coreia, em que ele e mais 200 mil crianças órfãs ou abandonadas foram enviadas ao exterior. Após décadas de ausência, o Jung de hoje, ilustrador profissional, volta a sua terra natal em busca de identidade. Filme baseado da HQ de mesmo nome, lançado em 2007.

Dentro de um lar adotivo na Bélgica, o garoto passa a viver com cinco irmãos, inclusive outra coreana, batizada de Valèrie. A animação é uma deliciosa coleção de causos vividos em um ambiente que Jun Jung-Sik, agora Jung Henin, passa a chamar de seu.

Com a participação de algumas imagens de arquivo pessoal, a animação se mescla com filmagens reais do Jung de hoje, dentro de seu país de origem – estas em caráter mais documental. Teoricamente, o bate-rebate cronológico normalmente costuma funcionar no cinema – em outras palavras, para que o espectador não fique (ou se sinta) perdido durante o filme – quando há a presença de um forte fio condutor. No caso de Aprovado para adoção, este é o caso: o dilema da falta de um passado provoca indagações e divagações em Jung sobre o que foi, o que poderia ser de seus pais biológicos e o que poderia ter sido com eles.

Caso não fosse uma história real, a ideia original do filme – não a confunda com o “roteiro” propriamente dito –  flertaria fortemente com o clichê. Apesar de não se resumir nas melhores palavras, a estética desbotada, aliada a contornos juvenis e um ritmo excelente, sustentam um ótimo filme.

Leia mais:

Confira os premiados desta edição

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Uma resposta para “Anima Mundi 2013: quatro dias de animação em SP

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