Resenha: Bling Ring – O vazio emocional da gangue do consumo

Por Giovanna Patelli

Clara e eficaz, nova filmologia de Sofia Coppola trata com uma ótica simples os devaneios de consumo – não só material – que atinge uma parcela da sociedade, de modo cruel e existencial.

O artigo que a jornalista Nancy Jo Sales escreveu para a Vanity Fair em 2010 sobre adolescentes que invadiram casas de várias celebridades – entre elas Paris Hilton e Lindsay Lohan – Entre agosto de 2008 e outubro de 2009 serviu de inspiração para essa sua nova obra, que aborda o consumo desenfreado e o culto doentio às celebridades, onde a futilidade e o egocentrismo se tornam o centro de uma síntese relacionada a uma geração que apresenta falta de conceitos éticos e morais, de convivência e ensinamento familiar e de vazio emocional.

Mostra de uma forma superficial – porém extremamente crítica – os desejos e escolhas da vida de novos adultos em Los Angeles. As sensações que o filme passa para o telespectador são de angústia e descrença. É difícil imaginar que pais eduquem seus filhos baseados em ensinamentos vazios e de culto a vida dos famosos.

TheBlingRing

Em meio as festas, grupo valoriza ostentação.

“Bling Ring – A gangue de Hollywood” parece um documentário, já que a diretora exibe os fatos de forma sutil, com julgamentos abertos sobre seu próprio mundo. Sua visão foi emitida com clareza pelas sensações que o filme passa, não sendo completamente necessária a elocução de frases ou comentários pelos personagens. As cenas são autoexplicativas, dependem da percepção do espectador.

A busca pela auto compreensão de Sofia Coppola sobre a sociedade que ela convive a leva a uma esclarecedora crítica sobre este mundo paralelo, um genuíno interesse em desmistificar a geração consumista. A Vogue britânica, por exemplo, interpela: “De quem é a culpa pelo materialismo descarado deles, de seus pais ou do meio que os cerca? E quem são as reais vítimas?”.

Assista ao trailer.

*Sofia Coppola é cineasta e roteirista americana, filha de Francis Ford Coppola. Dona de diversas premiações, foi a 3ª mulher na história a ser indicada ao Oscar de melhor direção. Entre os filmes que dirigiu estão As Virgens Suicidas (1999), Encontros e Desencontros (2003), Maria Antonieta (2006), Um Lugar Qualquer (2010).

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