Os 55 anos da “Nova Onda” francesa

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Cena clássica de Jules et Jim, de François Truffaut

Por Carolina Costa e Giovanna Patelli

A Nouvelle Vague, vertente do “cinema de autor”, inspira corações até hoje com seu plano-sequência, análise psicológica profunda de seus personagens e desprendimento em relação às falas e modos tradicionais de filmagem. A estética revolucionária das obras alterou drasticamente a história do cinema. A liberdade que imperava diante de cineastas tão brilhantes juntou-se com a vontade de mudança da ótica de um cinema que estava estagnado, oferecendo ao mundo uma nova forma de observar situações cotidianas e de cunho social.

O MIS (Museu da Imagem e do Som) exibiu entre os dias 03 e 08 de setembro mais de 15 filmes em homenagem aos 55 anos do movimento. Além dos longas, o jornalista e crítico de cinema Luiz Carlos Merten e a diretora de arte Laura Carvalho debateram sobre o assunto e responderam dúvidas da plateia.

Perdeu a mostra? Não se preocupe! Ainda dá tempo de saber mais sobre a “Nova Onda”:

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“Acossado”, de Jean-Luc Godard e Jean-Paul Belmondo

A Nouvelle Vague é considerada um movimento geracional, de rejeição ao velho, ao cinema clássico. Na atmosfera de uma Europa pós-guerra, os protagonistas do movimento – chamados “jovens turcos” – discutiam a produção cinematográfica no final dos anos 50. O movimento começou de forma escrita, através da revista francesa Cahiers Du Cinema (Saiba mais em Sunrise Musics), espaço onde os críticos da nova geração defendiam o individualismo autoral e uma mudança nos padrões de filmagem existentes até então. Entre eles estão Jean-Luc Godard, François Truffaut, Eric Rohmer, Jacques Rivette, Claude Chabrol, Agnès Vardas e Alain Resnais.

Tão importante quanto o enredo era toda a produção e identificação do diretor como o autor do filme. O estilo de filmagem também se modifica: cenas fragmentadas que não obedecem à linearidade do cinema clássico, a descontinuidade do tempo, a valorização do improviso e as filmagens nas ruas, museus, campos, diferentemente do cinema todo produzido em estúdio, entre outras características. A intenção era mostrar o “cinema de verdade”. A maioria dos temas abordavam a juventude e os questionamentos psicológicos, além de carregar erotismo responsável pela censura de boa parte das obras na época.

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“O Demônio das Onze Horas”, de Godard

Algumas sugestões de filmes para compreender melhor a Nouvelle Vague:

Nas Garras do Vício (Claude Chabrol, 1958), O ano passado em Marienbad (Alain Resnais, 1961), Acossado (Jean-Luc Godard e Jean-Paul Belmondo, 1960), Beijos Proibidos (François Truffaut, 1968), Hiroshima, meu amor (Alain Resnais, 1959), Cléo das 5 às 7 (Agnès Varda, 1962), Alphaville (Godard, 1965), Os Incompreendidos (Truffaut, 1959), Trinta anos essa noite (Louis Malle, 1963), Paris nos pertence (Jacques Rivette, 1961), Jules e Jim, uma mulher para dois (Truffaut, 1962), O Desprezo (Godard, 1963), O demônio das onze horas (Godard, 1965), Uma mulher é uma mulher (Godard, 1961).

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