O 11 de setembro latino-americano

O Palácio do governo chileno foi bombardeado no dia do golpe militar. Crédito: Biblioteca del Congreso Nacional de Chile

Por Andressa Vilela e Bia Avila

No dia 11 de setembro, um dos maiores atentados contra a humanidade completou 40 anos. Neste dia, em 1973, o general Augusto Pinochet comandou tropas no Chile para derrubar o presidente da época, Salvador Allende, e instaurou uma das mais violentas ditaduras militares da América Latina.

Allende foi eleito em 1970. Ao assumir, assinou um pacto de garantias, que incluía não mexer nas forças armadas, nos meios de comunicação, na Constituição e na educação. Essa posição refletia o ideário do presidente: substituir o capitalismo pelo socialismo sem violência e através do exercício pleno das liberdades democráticas e direitos humanos. Nesse sentido, nacionalizou bancos, minas de cobre, chegou a controlar 60% da economia do país, aumentou o PIB e aumentou o crédito para pequenos e médios produtores. O desemprego caiu, os salários subiram, a indústria cresceu e a reforma agrária foi estendida a 30% das terras.

No final de 1972, entretanto, o governo Allende enfrentou uma crise: algumas importações foram interrompidas e a bolsa de Londres diminuiu o preço internacional do cobre, o que influenciou negativamente na renda do país. Com a inflação e a falta de alimentos, o governo começou a perder parte significativa de seu apoio. Mesmo diante dessas dificuldades, o partido do presidente conseguiu 44% nas eleições de 1973, o que assustou a burguesia e os Estados Unidos.

“Todos sabíamos que aconteceria o golpe. No final de junho, chegou a ocorrer um ensaio do golpe, só para ver como o governo reagiria”, conta Ênio Bucchioni, durante evento aberto realizado pelo PSOL sobre os 40 anos do golpe. Ênio é um brasileiro que fugiu da ditadura no país em 1971, refugiando-se no Chile. O chefe das Forças Armadas da época renunciou pouco depois e o cargo foi ocupado por Pinochet, que 11 dias depois realizou o golpe de Estado. Tratou-se de um golpe civil-militar, financiado pelo PDT (Partido Democrata Cristão), pela CIA e economistas chilenos que elaboraram o programa econômico de Pinochet. O ditador instaurou no país um sistema político excludente e transformou o Chile num laboratório do neoliberalismo.

O golpe foi um massacre no país; estima-se que mais de 100 mil pessoas morreram. Allende se suicidou dentro do Palácio depois de fazer um discurso em que agradece a confiança que foi lhe dada pelo povo e se despede do Chile. Ênio conta que foi preso no dia 13 de setembro na pensão onde morava. “Viver ou morrer naquele dia dependia de sorte. Perdi amigos que tiveram azar de cair nas mãos de certos militares”, relata.

Redemocratização

Em 1982, a queda no desempenho econômico do Chile gerou uma forte onda de protestos. Seis anos depois, Pinochet decidiu colocar seu governo à prova mediante um plebiscito. O “não” ao ditador ganhou por 54% dos votos, contra 43% do “sim”. Em dezembro de 2004, o juiz Juan Guzmán colocou-o em prisão domiciliar pelo desaparecimento de nove ativistas da oposição. Ao completar 90 anos, o ex-senador não mostrou culpa. “Deus me perdoará se me excedi em algumas coisas, o que não creio”, disse Pinochet. Dois anos depois, anos 91 anos, faleceu.

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