Feira boliviana é símbolo de resistência cultural

Crianças de imigrantes brincam na praça Kantuta. Crédito: Thiago Munhoz

Por Bia Avila

A poucos metros do metrô Armênia, na cidade de São Paulo, um brasileiro sente-se estrangeiro. Aos domingos a praça Kantuta, localizada na rua Pedro Vicente, recebe mais de 1.500 imigrantes andinos, a maioria boliviana. Ali, das 11:00 às 19:00, o local é tomado por barracas de artesanato, culinária, vestuário e outros produtos de origem boliviana e peruana. Conhecida como “feira dos bolivianos”, o ponto de encontro tornou-se um centro cultural de apoio para os povos que saem de seus países e tentam ganhar a vida em São Paulo.

No centro da feira, várias crianças pintam em cavaletes com tinta guache, todas usando o mesmo avental para proteger a roupa. As outras – mais velhas – divertem-se na cama elástica e em outros brinquedos. Silvia Vceza, que está no Brasil há quatro meses e trabalha como babá, organiza as atividades infantis na praça. “Os pais dessas crianças trabalham muito e não tem muito tempo para a família. Assim as atividades (na praça) podem aproximá-los”, explica.

Em uma das muitas barracas de pães, Giana Flores, de 13 anos, auxilia os pais com os fregueses – com os brasileiros em especial, já que é nascida no Brasil e tem facilidade com o português. A adolescente nunca foi para a Bolívia, mas deseja conhecer o país e visitar os avós, que ficaram por lá. “A feira é importante para os outros conhecerem mais sobre a cultura boliviana”, opina.

Edgar é cabeleireiro na feira há dois anos. Crédito: Thiago Munhoz

Uma das tendas improvisadas mais curiosas é a dos cabelereiros – são três, no total. “E tem bastante movimento” garante Edgar Viscuciona, que trabalha há dois anos na praça. A reunião cultural, para ele, ajuda a não perder os costumes e a matar as saudades da música e da comida típicas. “Vim para cá para melhorar a qualidade de vida, mas prefiro a Bolívia. Gosto de São Paulo, mas a cidade é muito violenta”, comenta.

“Si, yo puedo!”

Desde março de 2012, alguns voluntários ficam no centro da praça para atender os imigrantes novos e orientá-los. O projeto social, chamado de “Sí, yo puedo”, oferece cursos de português, além de orientação sobre documentação e indicação de cursos profissionalizantes gratuitos para os recém-chegados.

Para saber mais sobre as condições da imigração boliviana no Brasil clique aqui

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