A febre do Stand Up e a banalização da comédia

Por Suria Barbosa

A comédia stand-up não é nova no Brasil. Há cerca de oito anos começou a se popularizar e para Dr. Carím Féres, procurador do Estado e comediante, “já está incorporada ao nosso estilo”. Porém, só virou febre quando artistas começaram a postar vídeos no YouTube.

É diferente dos estilos que antes dominavam o humor brasileiro – esquetes, monólogos e peças de comédia – porque, além de o comediante não utilizar nenhum acessório para fazer seu show, a “quarta parede”, parede invísivel imaginada pelos que encenam, não existe. No stand-up há interação contínua entre o artista e o público.

Se antes ajudou a consolidar o estilo, agora a plataforma online, incluindo as redes sociais, forma “comediantes” com uma rapidez impressionante. Colaborando, assim, para o “surto” de stand-up que vivenciamos hoje. Essa massificação em nada contribui para a qualidade das apresentações, porque, muitas vezes, o sonho de atingir notoriedade não vem acompanhado de conhecimento e aperfeiçoamento. É fundamental que os que trabalham com stand-up tenham a astúcia de conseguir agradar a diferentes públicos com o texto, e uma capacidade de representação que torne o show “natural”, como se fosse improvisado. Essas habilidades são adquiridas com treino e estudo, além da experiência. Féres concorda, “Qualquer pessoa pode fazer humor, incluindo stand-up. Mas tem que se preparar devidamente”.

A banalização do gênero também foi ampliada pela grande disseminação nos meios de comunicação de massa. Os comediantes de stand-up passaram a ter programas de televisão e a participar de propagandas. Apesar de que muitos comediantes competentes utilizam as grandes mídias como alavanca, vemos a indústria cultural vulgarizar mais um estilo cultural.

Além da moda do stand-up, outras coisas acabam tirando, para muitos, o mérito do estilo. A maior parte das críticas se dirige às piadas que os humoristas fazem. As opiniões se dividem entre os que acham que há uma margem entre o que é aceitável e os que acham que não há limitação para a comédia. “O humor não precisa de limites. O riso tem que ultrapassar tudo e todos… No entanto, as pessoas estão muito mal educadas e individualistas e, por isso, não têm seus próprios limites, não respeitam ninguém” pondera Féres. Relembrando os casos recentes em que as piadas renderam duras críticas, ele afirma “Dá pra xingar alguém e depois falar que era piada. Acho que quem faz isso são indivíduos que não fazem bons stand-ups. Acabam atrapalhando a profissão”.

Há uma linha que divide o banal do excepcional, e que tornou-se muito fina e frágil com a vulgarização do stand-up. Os bons profissionais do gênero, que se empenham em aprimorar suas técnicas, correm o risco de ficarem esquecidos no meio de tantos outros despreparados.

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