Soberania e autonomia da América Latina

Principais líderes da América Latina (Foto: Facebook)

Por Andressa Vilela e Bia Avila

A Universidade de São Paulo (FFLCH) sediou, nos dias 8 e 9 de outubro, o Simpósio Internacional “Um Mundo em Convulsão”, que tratou de temas de suma importância do cenário contemporâneo. Entre eles,  o papel da América Latina na geopolítica mundial.

Segundo Valter Pomar, Secretário Executivo do Foro de São Paulo, o conflito central que se vive hoje na região envolve as possíveis formas de integração entre os países. Existe uma disputa entre as forças para que haja ou uma associação subordinada aos Estados Unidos ou uma autônoma. Há também a dúvida sobre se tal integração seria comandada pelo capital ou por setores populares.

É importante que haja uma integração soberana, autônoma, que represente uma proteção contra ataques externos e que valorize a democracia popular. Nesse contexto, tal união poderia levar a uma transição do modelo capitalista atual para o socialismo. Entretanto, fatores como a desigualdade de desenvolvimento nos países do continente e a falta de hegemonia política atrapalham essa união. Assim, a integração deveria ser feita junto a reformas estruturais nos países mais pobres bancada por aqueles com a economia mais forte, como Brasil e Argentina.

Pomar também chamou atenção ao fato de que outros países da América Latina têm medo de que, numa maior integração, o Brasil comporte-se como uma potência imperialista, devido a sua importância e tamanho. Ele acredita que não existe espaço no mundo para outro imperialismo, visto que as grandes potências não deixariam que isso acontecesse, além do que, “se o país quer ser positivo, tem que lutar contra essa postura”, afirmou.

Cenário

A conjuntura latino-americana mudou na última década. Nos anos 1990 via-se, ainda, um continente que sofria brutal ofensiva imperialista econômica, política e militar. Nos anos 2000, o cenário começou a mudar: governos neoliberais foram derrubados e assumiram governantes que se diziam progressistas. A região, em sua maioria, afastou-se dos Estados Unidos e fortaleceu sua soberania nacional, crescendo também a força de setores que defendem o interesse de classe.

Com o passar do tempo, o que se viu é que alguns desses governos comportaram-se apenas como conciliadores com a burguesia, privatizando riquezas nacionais e incentivando o agronegócio e o latifúndio. Foram deixadas de lado reformas estruturais e políticas públicas que foram prometidas, traindo, assim, a confiança da classe trabalhadora. Houve ainda um processo de criminalização dos movimentos sociais, sustentada pela grande mídia, a fim de manter a ordem nos países e evitar verdadeiras reformas.

Ainda assim, alguns elementos apontam para mudanças e para o “fim de um ciclo” político. As mobilizações de junho que ocorreram por todo o Brasil, por exemplo, mostram isso e acabam por impactar em toda a América Latina. É necessária uma discussão que leve a mudanças estratégicas nas políticas do continente.

Leia mais em:

A América Latina já não é a mesma

Oscar Laborde: A nova direita da América Latina

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