Música Independente: Entrevista Costa Gold

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Por Julia Barreto, Thiago Mostazo e Ubirajara Neto

A música independente comumente é identificada como um foco de resistência à indústria cultural e fonográfica, um espaço onde as bandas se autoproduzem com total liberdade e autonomia musical, tanto na criação do som quanto na sua divulgação.

No Brasil, o cenário musical sofreu uma influência impositiva e forte das grandes gravadoras, que ditaram por um bom tempo não apenas as linhas de produção do som como também o que seria tocado e assim, criavam um estilo musical da moda, restringindo oportunidades a propostas alternativas. Os altos custos de gravação sempre favoreceram esses grandes conglomerados industriais, que mantinham o monopólio na área.  A partir dos anos 90, com o barateamento dos custos por conta dos avanços tecnológicos e o surgimento da internet, a música independente encontrou terreno mais fértil para se desenvolver pelos próprios pés, e a divulgação deixou de ser submissa às grandes gravadoras.

Atualmente, as políticas de fomentação a cultura ganharam força e junto aos novos meios de produção, propiciaram o surgimento de diversas bandas independentes. Um dos cenários que possui mais adeptos da maneira independente se fazer música é o rap, com surgimento de inúmeros grupos e DJ´s que se autoproduzem e divulgam o som através de mídias como Youtube, SoundCloud e MySpace, conquistando milhares de ouvintes.

Uma das bandas que surgiu neste contexto é o grupo Costa Gold, formado por 4 jovens de São Paulo que se juntaram para desenvolver e propagar suas rimas. Os MC´s Predella, Caio Nog, Adonai e o DJ Cidy já se apresentam em diversas casas de show pela capital e o videoclipe de “Alquimia Marginal” já possui mais de 100.000 visualizações no Youtube.

Um dos integrantes do grupo, DJ Cidy, conversou com o blog sobre a escolha de ser independente e a cena do rap atual, em que as parcerias fortalecem a possibilidade de ser dono do seu próprio som. Confere aí!

Corta Essa – Sabemos que viver de música no Brasil ainda é complicado, vocês alguma vez já conseguiram se sustentar apenas de música?

DJ Cidy – Apenas com música não, ainda é muito difícil sustentar nossa própria vida com dinheiro de cachês de show! Quando conseguimos receber certinho já é uma vitória. Mesmo com contrato e tudo os contratantes dão calote.

Corta Essa – O Costa Gold vem gravando clipes e disponibilizando-os na internet, como é a experiência de produzi-los por conta própria e alcançar mais de 100mil visualizações?

DJ Cidy – Ter um clipe com 100.000 views pra nós é inacreditável, é tipo uma parada que você nunca imagina na sua vida. Foi bem sem pretensão que a gente lançou esses clipes e hoje tem gente até da Grécia compartilhando “Alquimia Marginal”. Demora pra cair a ficha que tem gente que gosta mesmo do nosso som.

Corta Essa –  Algum projeto de vocês já foi procurado por alguma gravadora? Se sim, por que não aceitaram?  Se não, aceitariam se procurassem?

DJ Cidy -Não, nunca fomos procurados por gravadoras, e se um dia acontecer não temos nenhuma intenção de aceitar. Nós temos  certo carinho por ser independente e poder fazer nosso som do NOSSO jeito, sem restrições ou censuras. Estúdios e pessoas competentes para trabalhar é o que não falta, a gente faz parceria e lança os CDs.

Corta Essa –  Vocês podem fazer uma breve “sinopse” do trabalho que vocês vêm desenvolvendo?

DJ Cidy – No momento a gente vem trabalhando na nossa próxima Mixtape que chama Epifania. É um projeto que foi trabalhado durante o ano todo de 2013, e vem trazer de uma vez por todas a identidade do Costa Gold, vem marcar. É uma mixtape com 14 faixas, sendo 12 delas com participações de artistas da cena underground, são eles: Haikaiss, Rodrigo Ogi, Coruja BC1, TUBAINA, Tássia Reis, ZRM, Cartel MCs, Joe Sujera, Henrick Fuentes e Jamés Ventura.

Corta Essa –  A realidade do rap no Brasil vem crescendo muito e apresentando grupos independentes em ascensão como Haikaiss, Shawlin. Qual o projeto de vocês para se destacar?

DJ Cidy – A cena do Rap é uma mistura louca de monstros como Shawlin, Ogi, Sombra, com caras que vem numa ascensão recente. A gente tenta ser o mais original possível, sem seguir nenhuma tendência ou moda. A gente faz uma parada com o que a gente tá sentindo no momento, cotidiano mesmo.

Corta Essa –  Comparado a outros estilos musicais o rap parece ser o mais independente deles, até hoje nomes como Emicida, Dexter e Rael se mantém independentes por opção. O que vocês acham que explica tal fato?

DJ Cidy – O motivo do rap continuar sendo o estilo mais independente é a facilidade de produção, diferente de uma banda. E ainda a liberdade de criação fala mais alto com todos esses artistas, eles vão além, o Emicida montou sua própria gravadora, seu próprio selo, chama Laboratório Fantasma, ele agencia e grava MC’s como Flora Matos, Rael da Rima. Já o Criolo é outra historia, ele é fechado com Daniel Ganjaman, um mito da produção musical, ele produziu Sabotage, Racionais, Marcelo D2, Charlie Brown, e agora é exclusivo do Criolo. São pessoas como Daniel que mantém a cena independente forte.

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