Bruna Bittencourt, porta-voz da mulher brasileira

Por Thaís Stagni, Veronika Marcelino e  Vivian Monicci.

Capa da Revista Claudia de agosto de 2013.

Capa da Revista Claudia de agosto de 2013.

Bruna Bittencourt é editora de beleza da revista Claudia, a maior revista feminina do Brasil, que dialoga com mais de 2 milhões de mulheres distribuídas em faixas etárias muito diversas. No dia 24 de outubro de 2013, ela veio até a PUC-SP conversar com os estudantes de jornalismo sobre o dia-a-dia da redação e a influências das revistas femininas na vida de uma mulher. O bate papo entre elas e os alunos, você confere a seguir.

Estudantes: Por que não há espaço para as mulheres reais nas revistas femininas?

Bruna: O discurso é muito diferente da prática. Isso a gente já testou. As pessoas vivem dizendo que nós não colocamos mulheres mais velhas na capa. É sempre Grazi, Isis Valverde… Aí a gente fala: tá bom, esse mês nós vamos colocar uma mulher mais velha na capa. A venda despenca. Não vende, porque tem aquela coisa que é o aspiracional. Então assim, o discurso é ‘quero ver mulheres mais velhas’, mas quando a gente coloca, as pessoas não gostam e não compram. Então tem uma coisa que é dinheiro, você precisa vender.
A gente pensa na média. A Claudia é a maior revista feminina do Brasil. Então a gente fala com dois milhões e meio de pessoas, de 20 a 80 anos. É muito complicado, você nunca vai agradar todo mundo. Então, o que a gente tenta fazer é média. Existe uma resistência muito grande da leitora em relação a matérias muito diferentes. Elas não agradam.

E: Como alguém pode começar um blog de moda e beleza?

B: Eu acho que você tem que fazer o que te agrada e não o que você acha que vai fazer sucesso. Eu não tenho um blog porque eu não sei e não gosto de escrever em blog. E é uma coisa que eu preciso mudar, aliás, porque hoje em dia precisa muito. A Vic Ceridono faz sucesso porque o blog dela é ela. Ela faz o que ela gosta, escreve o que ela quer e do jeito que ela gosta. No blog da Claudia, eu escrevo dentro dos padrões revista, porque o blog não é meu.

E: Há espaço dentro da redação para uma reflexão critica e ética?

B: A Claudia surgiu com a pegada feminista da década de 60. Então, o nosso discurso é em defesa da mulher, contra a violência da mulher e a favor das campanhas do câncer de mama. Teve um slogan há 3 anos atrás que era: ‘Claudia, a revista porta voz da mulher brasileira’. A gente procura pensar de que forma podemos fortalecer essa nossa missão. Se a gente não concorda, a gente não publica. Existe uma discussão de quem são as mulheres interessantes sobre as quais a gente pode falar. Se ela é interessante, tem o que falar e vai acrescentar algo para as leitoras, ela estará nas paginas de Claudia.

E: Como é a questão do aspiracional, de querer ser a mulher da capa?

B: É um pouco louco isso em revista feminina, porque tem essa questão da capa. Quando eu trabalhei na Boa Forma, o discurso era corpo. E a leitora fala ‘mas eu nunca vou conseguir essa barriga’. Aí você pensa em colocar mais vida real, mas as pessoas não gostam disso. Ninguém quer se ver na revista; quer ver um você melhor. Não alguém que nunca vai ser, mas também não um você pra baixo.
Colocar mulheres reais aproxima a leitora apenas em determinados aspectos (exemplo da matéria sobre mulheres dos 20 aos 70, feita com mulheres reais com problemas reais; a proposta era ‘se veja nessa revista e se identifique com essa personagem’). Existem momentos da revista em que a leitora quer ver pessoas como ela (exemplo do eu leitora e da transformação de uma leitora) e existem momentos em que ela quer o aspiracional, ou seja, o “quero ser, quero ter” (exemplo dos editorias de moda e beleza e decoração). Deve haver um equilíbrio entre o aspiracional e quem eu sou de verdade.

E: Como fazer com que a mulher se sinta melhor, quando os padrões de beleza e das revistas femininas são conservadores?

B: O nosso posicionamento é não ser machista, então a gente parte desse princípio. O que a gente fala é em defesa da mulher sempre. O nosso discurso é ‘a melhor versão de você mesma’. A gente tem esse posicionamento feminista. Queremos dar as informações de moda e beleza, mas de um jeito que a leitora não se sinta excluída. Tentamos chamar as leitoras para falar  ‘você é desse jeito, mas pode ser daquele também’. A ideia é nunca excluir a leitora, porque a revista é para ela.

Foto: Printerest da Revista Claudia.

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