Mais médicos, mais saúde

Por Andressa Vilela e Bia Avila

Primeira leva de médicos estrangeiros chegam ao Brasil (Foto: José Cruz/ABr)

Primeira leva de médicos estrangeiros chegam ao Brasil (Foto: José Cruz/ABr)

A presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei que institui o Programa Mais Médicos na última terça-feira, (22/10). O texto prevê a ampliação de vagas nos cursos de medicina das faculdades federais e privadas, torna obrigatório o atendimento no sistema público por dois anos para aqueles que ingressarem na faculdade a partir de 2015, além de contratar médicos brasileiros e estrangeiros para atuarem no serviço de atenção básica.

Quem participa do programa recebe ajuda de custo do Ministério da Saúde, além de uma bolsa de R$ 10 mil por mês. As vagas são preenchidas preferencialmente por brasileiros e o resto é oferecido a estrangeiros. A Lei sancionada ainda define o Ministério da Saúde como o responsável por emitir o registro de médicos participantes do programa. Por sua vez, os Conselhos Regionais de Medicina (CRM) deverão fiscalizar o trabalho dos médicos.

A medida garante que áreas muito carentes e periféricas do Brasil recebam atendimento médico, ainda que muito precário, já que os profissionais brasileiros recusam a opção de exercer a profissão nesses locais devido às más condições de trabalho. Também aumenta o número de profissionais trabalhando no SUS (Sistema Único de Saúde), área prioritária de trabalho dos médicos estrangeiros, o que pode melhorar a qualidade e a rapidez dos atendimentos públicos, juntamente com a obrigatoriedade dos estudantes de medicina atuarem no sistema, que ainda é muito deficitário.

Parte da comunidade médica, no entanto, não aceitou bem o programa. Os profissionais alegam que a Lei não resolverá os graves problemas de saúde no país, já que o projeto não prevê incentivos para a formação de médicos no Brasil, argumento facilmente refutável, visto que as vagas para o curso aumentarão. Além disso, as entidades questionam se os médicos estrangeiros tem capacidade técnica para lidarem com os pacientes. Outra questão apontada seria um possível problema de comunicação entre médicos e pacientes, que não falam a mesma língua. Os estrangeiros, porém, passam por um curso de preparação com aulas sobre saúde pública brasileira e língua portuguesa. Somente após a aprovação nesta etapa é que eles vão para os municípios.

Há ainda quem defenda que os médicos cubanos serão explorados, uma vez que os R$ 10 mil serão enviados ao governo de Cuba e não a cada profissional individualmente. Entretanto, esse argumento é vazio, uma vez que tais médicos continuam sendo servidores públicos cubanos e apenas foram cedidos temporariamente ao Brasil. Para receberem o dinheiro particularmente, teriam que deixar seus postos no país de origem e tornarem-se pessoas físicas contratadas aqui.

Leia mais em:“Medicina cubana ensina a atender o povo com qualidade e humanismo”

Preconceito

Alguns brasileiros, diante da polêmica, mostraram um enorme preconceito em relação aos médicos estrangeiros, principalmente aos cubanos. No final de agosto, após a primeira aula de treinamento do programa, 79 cubanos foram vaiados e xingados por 50 médicos cearenses em Fortaleza.

Outro episódio que chocou foi o da jornalista Micheline Borges, que afirmou que as médicas cubanas tem “cara de empregada doméstica” e também que elas não tinham “postura” adequada. A publicação feita por Micheline no Facebook mostrou não apenas preconceito contra os cubanos, mas também com as domésticas, como se a categoria profissional tivesse uma única aparência e essa fosse “inferior” à de outras profissões.

Post ofensivo da jornalista Michelle Borges (Foto: Reprodução)

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