“Big Brother”: a espionagem estadunidense na América Latina

Por Andressa Vilela e Bia Avila

Charge ironiza a espionagem realizada por Obama. Crédito: Latuff

Recentes denúncias de que aAgência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos espionava chefes de Estado, feitas pelo ex-agente da CIA Edward Snowden, provocaram diversas reações pelo mundo. Segundo Julian Assange, fundador do site Wikileaks, em videoconferência realizada no dia 18 de setembro no Centro Cultural São Paulo, 98% de toda a comunicação da América Latina passa pelos EUA, um dado alarmante.

A primeira notícia foi veiculada no dia 02 de setembro deste ano e mostrava que a presidenta Dilma Rousseff e o presidente mexicano Enrique Peña Neto foram investigados. O estudo é chamado por Washington como “Filtragem inteligente de dados – estudo de caso México e Brasil”. O objetivo, diz o documento, era “melhorar a compreensão dos métodos de comunicação e dos interlocutores da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, e seus principais assessores”. Segundo a apresentação, o programa possibilita encontrar, sempre que quiser, uma “agulha no palheiro”.

Como resposta, Dilma cancelou uma reunião diplomática que teria com Barack Obama, em Washington, além de rechaçar diretamente a prática em seu discurso de abertura da 68º Assembleia Geral da ONU. Recentemente, junto à chanceler alemã Angela Merkel, que também foi espionada, Dilma evocou a Declaração Universal de Direitos Humanos a fim de propor uma resolução da ONU contra a invasão de privacidade praticada pelo país norte-americano.

A Venezuela também foi alvo de espionagem, segundo o que foi publicado pelo jornal The New York Times neste domingo (03/11). Teriam sido monitoradas as contas de e-mail de funcionários do Ministério das Finanças da Venezuela e de outras autoridades econômicas do país, segundo a publicação. Sobre isso, o país informou que manterá congeladas as conversas para restaurar as relações diplomáticas bilaterais devido à intromissão norte-americana.

O governo do Peru, por sua vez, reiterou na última terça-feira (29/10) que continua esperando explicações dos Estados Unidos sobre os planos de espionagem no país sul-americano, que também é um de seus principais aliados comerciais. O Ministério de Relações Exteriores disse, ainda, rechaçar profundamente a prática ilegal da espionagem, que fere qualquer soberania de Estado. Durante entrevista à TV russa RT, o presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que “se essa espionagem tivesse sido feita pela Venezuela, Equador ou Cuba, [esses países] já teriam sido taxados de ditadores, criminosos e levados à Corte Internacional de Haia. Mas, neste caso, não vai acontecer absolutamente nada, porque lamentavelmente a justiça internacional não é outra coisa além da conveniência do mais forte, e os EUA são os mais fortes”.

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