Um tal de Poetinha

Por Julia Barreto

Vinicius-de-Moraes

“Eu queria ter sido Vinícius de Moraes. Foi o único que teve vida de poeta, que ousou viver sob o signo da paixão” afirmou Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros.

Vinícius de Moraes completaria 100 anos em 2013. Garota de Ipanema. Chega de Saudade. Pelas Luz dos Olhos Teus. Eu Sei Que Vou Te Amar. Canto de Ossanha. Aquarela. A Tonga da Mironga do Kabuletê. Rosa de Hiroshima.  Não há quem não conheça pelo menos uma dessas músicas. 

Nascido na Gávea, no Rio de Janeiro, Marcus Vinitius da Cruz de Mello Moraes, mudou seu nome aos 9 anos para Vinícius de Moraes. Filho da pianista Lydia Cruz e do poeta Clodoaldo Moraes, o poetinha bacharelou em Letras, se formou em Direito, substituiu Prudente de Moraes como representante do Ministério da Educação. Ganhou bolsa de estudos em Oxford para estudar língua e literatura inglesa. Como diplomata assumiu posto na Delegação do Brasil junto à UNESCO. 

Escreveu, cantou, viveu o amor. Vinícius se apaixonou infinitas vezes; se casou nove. Viveu o que escrevia em seu estado natural. Ficou conhecido por tratar do lado obscuro do homem e enfrentá-lo: morte, paixão e mistério eram temas frequentemente abordados em suas obras. 

Teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra. 33 anos após sua morte, Vinícius é um dos maiores poetas, músicos, letristas, compositores, gênios que deixou um legado artístico, socio-cultural sem medida.

Qualquer coisa que se escreva sobre Vinicíus é muito pouco para representar o que o poetinha realmente foi e as marcas que deixou. 

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

 

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