Cinco cineastas (pouco conhecidos) que ainda sim merecem sua atenção

Por Lucas Goldstein

Sim! As grandes listas cinematográficas de fim de ano do Corta Essa! ainda não acabaram!!

Separamos desta vez mais cinco cineastas que não obtiveram reconhecimento do grande público, mas que mesmo assim você precisa conhecer. Eles acabam por trabalhar à sombra de nomes famosos quanto próximos de sua obra, ou até de seu próprio talento, porém produziram uma notável cinematografia.

É claro que bem mais de cinco filmografias poderiam aparecer nesta lista, porém os realizadores que passam pela cabeça da redação neste momento são:

Samuel Fuller

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Vale a pena ver: Anjo do Mal, Paixões que Alucinam, Cão Branco

Conhecido pelo baixo orçamento e profunda inventividade, os filmes de Samuel Fuller refletem a vida em parte atribulada que o diretor teve antes de chegar às câmeras. Antes repórter policial e soldado da IIª Guerra, ele tratou temas polêmicos de forma crua e honesta, sem moralismo. Viveu entre o meio independente e a Twenieth Century Fox, e foi considerado pela Nouvelle Vague uma “influência de estilo”.

Produziu sátiras da vida moderna americana, faroestes, filmes de guerra, filmes de terror – foi em Cão Branco, de 1982, que passou por um grande desapontamento: a interpretação animalesca do racismo foi interpretada pela Paramount como “controversa demais”. O filme ficou engavetado nos EUA por mais de uma década.

Samuel Fuller é um exemplo de cineasta que, mesmo sofrendo pressões e sendo deixado de lado pelas grandes produtoras, manteve-se fiel a sua visão das coisas.

Trailer não oficial de Cão Branco:

George A. Romero

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Vale a pena verA Noite dos Mortos VivosDespertar dos Mortos, O Dia dos Mortos

Se você hoje assiste a filmes de apocalipse zumbi regularmente – ou à série de TV The Walking Dead –, você está de uma forma ou de outra entrando em contato com este cineasta hoje, digamos, cult. Vamos além: os zumbis só se tornaram ícones da cultura mundial das últimas décadas graças a George A. Romero.

Eis o porquê: TODOS os filmes do gênero são filhos do clássico A Noite dos Mortos Vivos, de 1968. Romero fundou o gênero e, obviamente, os que vieram depois foram influenciados por ele.

A lenda do terror continuou a produzir e, entre outras produções, prosseguiu com a trilogia de A Noite… com O Despertar dos Mortos, de 1978 e O Dia dos Mortos, de 1985. Após o sucesso comercial de um remake de O Despertar… em 2004, retornou à “franquia” com Terra dos Mortos, de 2005, Diário dos Mortos, de 2007, e A Ilha dos Mortos, de 2009.

Trailer de Despertar dos Mortos:

Thomas Vinterberg

Thomas_Vinterberg_465641aVale a pena ver: Festa de Família, A Caça

Você tem razão ao suspeitar que o cinema que saiu da Dinamarca no final dos anos 90 não se resume somente a Lars von Trier. Ele e Thomas Vinterberg fundaram o Dogma 95, manifesto cinematográfico que resultou em 10 anos de muito barulho em filmes econômicos, sem qualquer avanço tecnológico que “prejudicasse a história” – entre eles efeitos especiais, iluminação artificial, zoom, uso de tripés e som extradiegético – que não se explique na cena. O resultado foi um cinema plasticamente truncado, e igualmente autêntico.

Aconteceu com Thomas que, durante o intervalo entre seus dois filmes melhor sucedidos, Festa de Família (1998) e A Caça (2012) – candidato dinamarquês ao próximo Oscar de melhor filme estrangeiro –, seu parceiro de Dogma lançou filmes que entraram no vocabulário de qualquer aspirante a cinéfilo nestes 14 anos: o vencedor da Palma de Ouro de 2000, Dançando no Escuro; o polêmico Os Idiotas, de 1998; seu filme mais recente, Melancolia, de 2011, entre outros.

Trailer de Festa de Família:

Jacques Rivette

600full-jacques-rivetteVale a pena ver: Celine e Julie Vão de Barco, Amor Louco

Se, por um acaso, em uma conversa de bar ou em outro lugar qualquer, você ouvir falar na Nouvelle Vague, quais nomes imediatamente viriam a sua cabeça? Jean-Luc Godard? Certeza. François Truffaut? Um pouco menos, porém não muito. Claude Chabrol? Talvez. E… nenhum outro?

O termo Nouvelle Vague foi vagamente usado a diversos cineastas franceses entre as décadas de 1950 e 1960. Jacques Rivette fez parte do núcleo central do movimento – a revista de crítica Cahiers du Cinema – e, assim como Godard, manteve ao longo da carreira um estilo pessoal na produção de seus filmes.

Rivette atingiu o ápice da sua carreira somente nos anos 70, o que provavelmente o fez ser separado do grupo do qual fazia parte vinte anos antes. Mesmo assim possui filmes como Celine e Julie Vão de Barco, que ganhou o Prêmio do Júri do festival de Locarno em 1974. O diretor, ainda vivo, se aposentou em 2009, aos 80 anos de idade.

Trailer do último filme de Rivette, 36 vistas do monte Saint Loup:

Jairo Ferreira

jairoVale a pena ver: O vampiro da cinemateca, O insigne ficante

Um brasileiro para fechar bem a lista.

Próximo à região que hoje é chamada de Cracolândia, no centro de São Paulo, estava um quadrilátero que foi a casa da criação cinematográfica brasileira dos anos 60 e 70. Rodeada pelo submundo policial, a “Boca do Lixo” – delimitada pelas ruas e avenidas Duque de Caxias, Timbiras, São João e Protestantes – foi um centro independente de produções de baixo custo, gerando clássicos nacionais como O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, e filmes de sucesso de crítica internacional – O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, foi um dos dois filmes brasileiros até hoje a receber a Palma de Ouro em Cannes, no ano de 1962.

E, assim como os realizadores da Boca, Jairo Ferreira não era “um” da turma. Era o mais “vanguardista” da turma. Cineasta, ator, fotógrafo de cena e jornalista, foi crítico de cinema pelo São Paulo Shimbun, Folha e o Estado de São Paulo, Jairo mantia admiração pelo que batizou por “Cinema de Invenção”, que também produziu – lançou um livro de mesmo nome em 1986.

Realizou filmes entre 1973 e 1980, apenas dois deles longas metragens. Quase todos eles foram filmados na solução mais barata da época: o Super-8 – algo que a geração  Instagram raramente ouviu falar. Frente à feroz ditadura militar, Jairo procurou chocar e, assim, chamar a atenção da sociedade da época, anestesiada pelo combo AI-5 e “milagre” econômico.

Como disse Paulo Villaça, interpretando o protagonista em O Bandido da Luz Vermelha: “Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha. Avacalha e se esculhamba”.

Curta metragem O Guru e os Guris, de 1972:

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